Sala das Tartarugas Marinhas
Na sala das Tartarugas marinhas temos quatro espécies expostas são elas, a Tartaruga Cabeçuda, a Tartaruga De Pente, a Oliva e a Verde).As tartarugas que aqui se encontram são resultado de pesca acidental com redes de emalhe e/ou ingestão de lixo jogado pelo homem no mar.
Conheça mais sobre as cinco espécies que habitam e se reproduzem no litoral brasileiro:
TARTARUGA-CABEÇUDA
Tem
a cabeça proporcionalmente maior que a das outras espécies, chegando a medir 25
centímetros. No Brasil, é a que faz maior número de desovas nas praias do
continente e é também chamada de tartaruga mestiça. Seu dorso é marrom e o
ventre, amarelado. Seu casco mede aproximadamente um metro e pesa cerca de 150
quilos, embora alguns exemplares cheguem a 250 quilos.
Se
alimenta de peixes, camarões, caramujos e algas. Suas mandíbulas poderosas lhe
permitem triturar as conchas e carapaças de moluscos e crustáceos.
Encontrada
em praticamente todo o litoral, para desovar esta espécie procura
preferencialmente as praias do norte do Rio de Janeiro, da Bahia, Espírito
Santo e Sergipe.
TARTARUGA
DE PENTE
(Eretmochelys
imbricata)
Também
chamada de tartaruga verdadeira ou legítima, é considerada a mais bonita das
tartarugas marinhas. Tem a carapaça formada por escamas marrons e amarelas,
sobrepostas como as telhas de um telhado. A boca lembra o formato de um bico de
gavião, e o casco pode medir até um metro de comprimento e pesar 150 quilos.
Tem
este nome porque era caçada para que seu casco fosse usado na fabricação de
pentes e armações de óculos. Por isso é uma das mais ameaçadas de extinção.
Alimenta-se
de peixes, caramujos, esponjas e siris.
Na
forma juvenil ou semi-adulta é encontrada em todo o litoral do Nordeste, mas o
litoral norte da Bahia é o único local onde ainda há um número significativo de
desovas remanescentes.
TARTARUGA
VERDE
(Chelonia
mydas)
Alimenta-se
exclusivamente de algas. Também chamada de aruanã, esta tartaruga tem o casco
castanho esverdeado ou acinzentado medindo cerca de 1,20m. Pesa em média 250 quilos,
podendo atingir até 350 quilos.
Sob
a forma juvenil pode ser vista, com relativa facilidade, ao longo de todo o
litoral brasileiro. Para desovar prefere as ilhas oceânicas, como Fernando de
Noronha, em Pernambuco, Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, e Trindade, no
Espírito Santo.
TARTARUGA
OLIVA
(Lepidochelys
olivacea)
É
a menor de todas as tartarugas marinhas, mede cerca de 60 centímetros e pesa em
torno de 65 quilos. Sua carapaça é de cor cinza esverdeada, daí o seu nome.
Alimenta-se
de peixes, moluscos, crustáceos, principalmente camarões, e plantas aquáticas.
No litoral de Sergipe existe hoje a maior concentração de fêmeas dessa espécie
desovando no Brasil.
TARTARUGA
GIGANTE OU DE COURO
(Dermochelys
coriacea)
É
a maior espécie de tartaruga marinha e também a mais forte. É chamada de
tartaruga gigante, por medir até dois metros de comprimento de casco e pesar
700 quilos, embora já tenha sido encontrado um exemplar com 900 quilos.
De
cor preta, com pontos brancos, tem o casco menos rígido que as outras,
parecendo quase um couro - por isso ganhou esse nome. Tem grandes nadadeiras
frontais, que lhe permitem nadar longas distâncias.
Vive
sempre em alto-mar, aproxima-se do litoral apenas para desova, e se alimenta preferencialmente
de águas-vivas.
Pouquíssimas
fêmeas, em torno de 7 (sete), desovam somente no litoral do Espírito Santo.
100
milhões de anos evoluindo.
Reprodução
As
tartarugas não são animais de cérebro evoluído, mas têm extremamente
desenvolvidos a visão, o olfato e a audição, além de uma fantástica capacidade
de orientação. Isso faz com que, mesmo vivendo dispersas na imensidão dos
mares, saibam o momento e o local da reunião para reprodução. Nessa época,
realizam viagens transcontinentais para voltar às praias onde nasceram para
desovar.
Os
pesquisadores ainda não sabem explicar muito bem esse fantástico senso de
orientação. Sabe-se, porém, que o ciclo de reprodução das tartarugas pode se
repetir em intervalos de um, dois ou três anos, variando conforme a espécie e
condições ambientais, especialmente a distância entre as áreas de alimentação e
reprodução.
O
acasalamento ocorre no mar, em águas profundas ou costeiras. A fêmea escolhe um
entre vários machos e o namoro começa com algumas mordidas no pescoço. A cópula
dura várias horas, a fecundação é interna e uma fêmea pode ser fecundada por
vários machos. Uma mesma fêmea pode realizar de três a cinco desovas por
temporada, com intervalos médios de 10 a 15 dias, cada uma com 130 ovos em
média.
Somente as fêmeas saem à praia. Os machos têm a vida
toda na água.
Desova
Para
desovar as fêmeas procuram praias desertas - no Brasil entre setembro e março
no continente, e entre dezembro e maio nas ilhas oceânicas - e esperam o
anoitecer, porque o calor da areia, durante o dia, prejudica a postura, e a
escuridão as protege de vários obstáculos.
Quando
a noite chega, as tartarugas escolhem um trecho da praia livre da ação das
marés e com as nadadeiras anteriores escavam um grande buraco redondo, de mais
ou menos dois metros de diâmetro - a "cama", onde vão se alojar para
iniciar a confecção do ninho. Elas podem fazer várias "camas", até
escolherem uma para pôr os ovos. Qualquer barulho ou movimentação estranhos
podem assustá-las.
É
comum os pesquisadores encontrarem na areia os rastros em formato de meia-lua
que indicam que a tartaruga voltou ao mar sem efetuar a desova. Feita a
"cama", elas constroem, com as nadadeiras posteriores, um outro
buraco para o ninho, que tem cerca de meio metro de profundidade e se parece
com uma garrafa enterrada na areia, com uma boca que vai se alargando para o
fundo. Aí ela coloca os ovos, redondos e brancos, parecidos com bolas de
pingue-pongue. Os ovos ficam bem protegidos, recobertos por uma espécie de muco
e pela areia com que a tartaruga cobre o ninho.
Em
cada postura uma tartaruga coloca em média 130 ovos, mas os pesquisadores do Tamar
já registraram ninhos com apenas 16 e até com 240 ovos.
Depois
da postura a tartaruga-mãe volta para o mar, e entre 45 e 60 dias após a
desova, as tartaruguinhas rasgam o ovo e iniciam a subida dos cerca de 50 centímetros
de areia. Uma vai ajudando a outra, até alcançarem a superfície da praia e
correrem para o mar.
O
sexo dos filhotes é determinado pela temperatura da areia. Quanto mais quente, maior
o número de fêmeas, e quanto mais frio, maior o número de machos.
De cada mil tartarugas nascidas, apenas uma ou duas vão
chegar à idade adulta.
Ciclo
de vida
O
nascimento ocorre quase sempre à noite, e para chegarem ao mar elas se orientam
pela luminosidade do horizonte. Mas uma chuva forte, provocando o resfriamento
da areia, pode levar também ao nascimento de uma ninhada durante o dia.
Os
filhotes são pequenos e frágeis, medindo apenas cerca de cinco centímetros.
Muitos são devorados por caranguejos, aves marinhas, polvos e principalmente
peixes. De cada mil tartarugas nascidas, apenas uma ou duas vão chegar à idade
adulta. Mas, depois de adultas, poucos animais conseguem ameaçá-las - à exceção
do homem e do tubarão.
Somente
na fase adulta vão se tornar visíveis as diferenças entre machos e fêmeas. A
cauda do macho, por exemplo, se torna mais grossa e chega a ultrapassar as
nadadeiras posteriores.
Quando
adultas, elas voltarão quase sempre à mesma praia em que nasceram para desovar
e a cada vez que voltam fazem as posturas sempre em locais próximos uns dos
outros.
Ano
perdido
Durante
cerca de 14 meses as novas tartarugas desaparecem - os pesquisadores chamam de
ano perdido - porque quase não há informações sobre o que se passa com elas
nesse tempo. Imagina-se que fiquem flutuando por entre as algas ou vagando no
mar aberto. Após um ano, podem ser vistas nos recifes e praias do litoral,
buscando alimento.
Alimentação
As
tartarugas marinhas são geralmente omnívoras, comem de tudo, embora uma
espécie, a Verde, se alimente apenas de algas após o primeiro ano de
vida. A Gigante prefere alimentos gelatinosos, como medusas e
águas-vivas.
As
tartarugas ganham muito peso. Um filhote recém-nascido da tartaruga de Couro
pesa 30 gramas em média, e essa mesma tartaruga na idade adulta chega a pesar
700 quilos. Isso faz com que frequentemente mudem de lugar para atender às suas
necessidades alimentares.
Situação
das tartarugas marinhas no Brasil.
As
cinco espécies de tartarugas que ocorrem no Brasil possuem áreas bem definidas
para efetuarem as desovas.
A
Verde desova preferencialmente nas ilhas oceânicas, e seus filhotes, na
fase juvenil, podem ser encontrados por toda a costa brasileira. Também animais
de outras ilhas do Atlântico migram para a costa brasileira, fazendo desta
espécie a mais abundante no nosso litoral.
A
Cabeçuda desova em quase toda a costa desde o norte do Rio de Janeiro
até o Ceará, porém, se concentrando no norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo,
Bahia e litoral de Sergipe.
A
Pente concentra-se para reproduzir no norte da Bahia, região de recifes
costeiros, até Sergipe. Sua população foi extremamente reduzida e está bastante
ameaçada.
A
Oliva concentra-se em Sergipe, também com uma população bastante
reduzida.
A
Gigante, a mais ameaçada no Brasil, concentra-se no norte do Espirito
Santo.
Todas
estão protegidas por lei, mas a extensão da costa brasileira e as inúmeras
ameaças, somadas ao longo período que necessitam para tornarem-se adultas, faz
com que ainda estejam bastante vulneráveis.
O
crescimento da pesca clandestina com redes ao longo da costa, associado ao
incremento da pesca industrial e a poluição dos oceanos, tem levado ao risco de
extinção várias espécies marinhas, e não somente às tartarugas.
O
TAMAR tem conseguido minimizar as ameaças geradas pelo homem, reiniciando assim
seu ciclo reprodutivo, outrora praticamente interrompido. Outro problema, como
ocupação desordenada de praias, vem sendo combatido com a implantação de Parques
e Reservas, e com propostas de zoneamento que restrinjam as ocupações à padrões
ambientalmente aceitáveis.
A
sociedade brasileira está satisfatoriamente conscientizada e vem apoiando estas
ações, e é necessário a continuidade das mesmas.
Situação
das tartarugas marinhas no mundo.
Situação
formal e legal
A
Convenção Internacional para o Tratado das Espécies em Extinção da Fauna e da
Flora (CITES), lista todas as tartarugas marinhas em seu Apêndice I.
A
União Internacional para a Conservação (IUCN), listou a espécie Caretta Caretta como vulnerável à
extinção, e todas as outras espécies (exceto N. depressus) como ameaçadas de extinção. Entretanto, o IUCN, em
uma cooperação fechada com a Secretaria e Departamentos do CITES, adotou agora
um complexo de critérios ostensivos e numéricos no qual as categorias de
espécies devem ser deduzidas. Enquanto estes critérios estão na expectativa de
serem aplicados somente às espécies propostas nos apêndices do CITES para o
futuro, elas estarão incorporadas no contexto proposto pela IUCN. O critério
incorpora considerações do atual número de populações de tartarugas no mundo
inteiro, fragmentações de habitats e populações e tendências demonstráveis das
populações. Para a maioria das espécies, os dados necessários são diferentes
dos disponíveis atualmente. Entre as tartarugas marinhas, mesmo a "
criticamente em extinção" L. Kempi
pode ser somente qualificada como " dependente de conservação", em
vista de sua população ser reduzida nos anos atuais.
O
Departamento de Interior dos EUA, sob a autoridade do Setor de Ações das
Espécies em Extinção, atualmente cita Chelônia
Mydas - Tartaruga Verde (em extinção na Flórida e na Costa do Pacífico no
México), e a Caretta Caretta -
Tartaruga Cabeçuda, como ameaçadas de extinção. Eretmochelys Imbricata - Tartaruga de Pente, Lepidochelys Olivacea - Oliva, Lepidochelys
Kempi e, Dermochelys Coriacea -
Tartaruga Gigante, são listadas como em extinção. N. Depressus, mais restrita e menos conhecida de todas as espécies,
não está listada como em extinção.
Tartarugas
marinhas – ameaças
Iluminação
de praias – Com a expansão urbana, o aumento de construções e de
estradas à beira-mar, fez crescer a incidência de luzes nas áreas de desova.
Essas luzes afugentam as tartarugas que vêm para desova e desorientam os
filhotes, que atraídos pelas luzes, se afastam do mar. O TAMAR conseguiu
aprovar leis que impedem a instalação de pontos de luz em áreas de desova (Portaria
IBAMA no. 11, de 30/1/95; Lei Estadual (Bahia), no. 7034, de 13/2/97), e
hoje faz uma campanha para substituição, nessas áreas, das luminárias
convencionais por outros modelos, para que a luz não incida diretamente sobre a
praia.
Redes
de pesca - A pesca de tartarugas é proibida por lei federal (Lei
de Crimes Ambientais, no.9605, de 12/2/98), e pune o infrator com prisão
inafiançável. Entretanto, muitas vezes as tartarugas se emalham,
acidentalmente, nas redes de pesca (ou currais, arrasto, redes de espera e de
deriva) e, sem poder vir à superfície para respirar, acabam desmaiando. Quando
o pescador retirava a rede e via uma tartaruga desmaiada, ele se assustava,
temendo ser acusado de estar caçando tartarugas e a jogava no mar, para se
livrar de uma acusação. Desmaiada, a tartaruga acabava morrendo afogada.
O
TAMAR desenvolveu então uma campanha educativa (Nem Tudo que Cai na Rede é
Peixe), ensinando a reanimar uma tartaruga. É preciso colocar a tartaruga
desmaiada de barriga para cima, com a cabeça um pouco mais baixa que o resto do
corpo e massagear o ventre, para retirar a água que está nos pulmões. Depois,
deve-se deixar a tartaruga na sombra até que ela comece a bater as nadadeiras
sobre o peito. Quando isso acontece, está pronta para ser devolvida ao mar.
No
Brasil, a Portaria IBAMA no. 5, de 19/2/97, obriga a utilização de
dispositivo de escape de tartarugas marinhas (TED) em redes de arrasto
de camarão, independente da espécie que pretende-se capturar, para embarcações
maiores que onze metros de comprimento e que não utilizem métodos de
recolhimento manuais.
Caça
e coleta de ovos - Antes do TAMAR, era um hábito comum matar tartarugas
marinhas para se consumir a carne e usar o casco para fazer armações de óculos,
pentes e enfeites como pulseiras, anéis e colares. Geralmente, elas eram
apanhadas quando subiam à praia para desovar. Também os ovos eram retirados,
pelos habitantes dessas praias, para alimentação. Hoje essas práticas quase não
acontecem mais, nas áreas de atuação do Projeto. A caça e a coleta de ovos são
proibidas pela Lei de Crimes Ambientais, ficando o infrator sujeito à
prisão sem fiança.
Tráfego
na praia - (Portaria IBAMA no. 10, de 30/1/95) O tráfego de
pedestres e veículos nas praias de desova pode aumentar a mortalidade dos
ninhos de tartarugas, porque torna a areia compacta e desencoraja as fêmeas que
chegam para a postura. Além disso, as marcas de pneus na areia dificultam a
caminhada dos filhotes em direção ao mar, e o risco de atropelamento é
constante. Existe ainda o perigo representado pelo tráfego de embarcações
marítimas junto às áreas de desova, pois o movimento pode atrapalhar o
acasalamento e espantar as fêmeas que chegam para a desova.
Poluição
- A poluição das águas por elementos orgânicos e
inorgânicos, como petróleo, lixo, esgoto, interfere na alimentação e locomoção
e prejudica o ciclo de vida desses animais.
Sombreamento
- Construções altas e plantações de grande porte no
litoral podem aumentar significativamente o sombreamento das praias de desova,
diminuindo a temperatura média da areia e provocando um aumento no número de
filhotes machos, alterando a proporção sexual das populações, ou ainda gorando
os ovos.
Predação
- Tartarugas marinhas juvenis e adultas possuem uma certa
segurança em relação a inimigos naturais, pois são ágeis e grandes. É na época
da desova que elas se tornam mais frágeis, podendo ser atacadas pelo homem ou
terem seus ninhos destruídos por outros animais predadores terrestres, como
cachorros, gatos, raposas e aves. Por serem muito pequenos, os filhotes também
são vulneráveis a todo tipo de predadores.
Saiba mais sobre o projeto Tamar em:
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